O último dos Resident Evil: 0


Olá queridos, vi que precisava dá logo um fim neste pequeno texto comentando minhas impressões sobre o jogo remasterizados do Resident Evil 0. Então lá vai:
 
Faz uns meses que terminei de jogar Resident Evil 0 HD Remaster, 10 anos depois do lançamento original, foi daí que eu pude ter a experiência que faltava com relação à serie. Não consigo ver com muita relevância o que o outro jogo remasterizado simultaneamente, Resident Evil Remake, é para as vistas de uma parte dos fãs da serie, diria que ele é muito mais um encerramento (uma homenagem) do que renovação com relação ao que Resident Evil 4 trouxe a também sei lá quantos anos atrás. Segundo a notícia do REVIL, RE:0 teve vendas significativas nas versões digitais e não é de se surpreender que a Capcom pegou a dica no ar e agora temos Resident Evil VII. Diante dos fatos, fico ponderando aqui comigo sobre o que há nesse jogo que se destacou tanto.

Acho que sei o porquê de Resident Evil 0 HD ter feito sucesso considerável.
É fácil dizer que tudo foi mérito do medo, como muitos disseram. Eu discordo, enquanto jogava tive muito poucos sustos, muitos poucos mesmo, e olha que sou alvo fácil, mas com certeza o jogo faz você entrar numa viagem no tempo, não sei para os jogadores mais novos, mas tudo que é clássico na série, estava lá: as dificuldades de carregar itens, armas e etc, o vai e vêm entre corredores, as salas barrocamente decoradas, os inimigos estranhos (aqueles sapos : S), outros até conhecidos, etc, etc. Sem contar que a questão da aventura compartilhada entre dois personagens principais, foi um grande diferencial. Sobre o enredo, lembro que época soava piegas, e meio que lugar comum, mas vendo hoje os enredos megalomaníacos, ver a história se focar em pequenas proporções chega a ser um alívio.

Cenário de uma laboratório tipicamente Resident Evil clássico.
Ainda não joguei Resident Evil VII, não estou nenhum pouco instigado pra tanto, o efeito que a Capcom queria não funcionou muito comigo. Espero que eles continuem a investir na remasterização e/ou remake de Resident Evil 2, que aliás, ainda duvido muito que teremos notícias em breve, mas acho que vai ser bom de qualquer jeito. Também não sou muito adepto à nostalgias, porém este caso acabou sendo diferente para mim e para muitos outros porque não jogamos RE:0 no Game Cube , é como recuperar o tempo que nos foi roubado da serie. Sei que o que disse é muito piegas, mas digo não há outra forma de expressar a experiência boa que tive com esse jogo.


É isso. Finalmente postei este texto!
Espero que gostem e comentem o que vocês acham de jogos de terror.
Oráculo : D

Inspire-se em uma mulher


É uma pena que preciso escrever isso com pressa, o cotidiano sabe ser cruel a sua maneira. Hoje é o Dia Internacional da Mulher, e acho que apesar do fato egoísta de pensar que há só um dia da mulher, e não todos os dias, existe muito mais além disso. Se hoje vivemos em tempos de imposição, é principalmente com a vontade de não repetir os erros do passado, e como não podemos mudar muito além do que o braço alcança, há muito valor em romper essa película que nos distancia das vozes dos outros.

Na verdade o post tem outro objetivo além dessas divagações. Gostaria de falar um pouco sobre o papel das artistas mulheres em nossas vidas. Todo artista carrega em sua memória aqueles artistas que se tornam símbolos de imortalidade por justamente suas obras sempre serem citadas, copiadas, exaltadas como arte por excelência. Estranho bastante como vez por outra vejo artistas homens e mulheres evitarem identificar o seu trabalho com o trabalho de artista mulheres pois ainda é propagado que mulheres não produzem a arte que não é o suficiente, pelo menos não o suficiente para inspirar outros artistas. Podemos culpar muita gente, muitas circunstâncias, podemos dizer que o mercado às escondem, que elas se fecham em pequenos nichos, mas até nos círculos mais restritos vemos as mulheres artistas esquecidas por outros artistas homens e mulheres. Até porque sempre há um homem melhor, porque eles se destacam por critérios que eles mesmo criaram, porque ainda até nos espaços de crítica, a visão de um certo tipo de homem é inquestionável; "porque eles são fodas" é o que dizem e por isso fica.

Virginia Woolf em seu último ato de criação
Quando falamos em influência não devemos nos fechar em identificações básicas, cada artista traz uma obra que ecoa uma voz que nos mostra uma forma de melhorar a realidade que me rodeia. Por que não além de entender o artista, não entender as nuances das obras que el@ fez? Muito se incentiva e idolatra as mulheres que fazem arte, elas são divulgadas, e suas biografias virão lendas, mas o que de fato queremos de suas obras? Estranho ver como artista como Frida Kahlo e Virginia Woolf serem muito mais celebradas como personas do que como aqueles artistas no qual preferimos discutir suas obras, pelo o que elas são, o peso que elas trazem às nossas vidas, entre outras coisas.

Acho que só Virginia Woolf poderia ter pensado algo tão lindo assim.

Sempre lembramos das mulheres mães, filhas, irmãs, mas onde estão as mulheres artistas em nossas memórias? Eu, como homem que se propõe artista, adoraria ser tão bom no ofício que escolhi como muitas mulheres. Luto todo dia para que eu seja tão bom como a Björk, Ai Yazawa ou Clarice Lispector mesmo sabendo que morrerei no meio do caminho, porque sei que caminhamos cada uma a sua maneira, e porque principalmente suas obras valem a pena. Elas nos dão tanto sem pedir nada em troca: e assim será.

E é isso,
Oráculo

Clock Tower: Jogos do subsolo


Provavelmente esse jogo já tem muitas análises e reviews, entre outras formas de comentários sobre ele, contudo compartilho com vocês a incrível experiência que tive com esse jogo, porque na verdade acho mais que importante continuar a falar sobre jogos de videogame que superam a expectativa comum, pois precisamos manter o que achamos preciso nos games, e Clock Tower (1995) é uma joia rara. Clique em Mais Informações para continuar : )

O natal de Virginia Woolf ~ Uma Webcomic

Olá queridos,

Como comemoração deste Natal de 2016, fiz uma adaptação de um trecho dos diários dessa incrível e lendária escritora de todos os tempos : 3, Virginia Woolf, que me chamou muita a atenção. Para situa-los, no Natal de 1931, era plena Segunda Guerra Mundial, e Lytton Strachey, grande amigo da escritora, estava muito doente. Espero que gostem e clique em MAIS INFORMAÇÕES para ver a história completa.

Do coelho brasileiro ao quadrinho


O Google diz, Tapiti (sylvilagus brasiliensis) é nada mais que o coelho brasileiro, igual aos outros coelhos sob às vistas descuidadas, mas na medida que ele é do Brasil, se torna singular. Mal sabe dele de sua existência problemática (existe tapiti fora do Brasil ou ele vira só coelho mesmo?) o mesmo diria quanto à tradição de quadrinhos brasileiros. Como um bobo alegre, o fazer quadrinhos atravessa décadas e séculos, cruzando estados às salpicadas, semeando esta terra abençoada por Deus, porém, talvez saibamos tão pouco sobre seus desejos e fardos...

Quem dará nome aos tapitis? Escolho a saga penosa da originalidade, onde a lebre busca em todas as lebres que já existiram a sua semelhança, mas muito longe de abrir mão de sua diferença, seu nome secreto. Não se precisa entender, mas sim, sentir, que não adianta esconder o retrato de nossos pais ao mesmo tempo que eles estampam o nosso reflexo no espelho. O desafio de se criar os mais belos quadros é justamente como neles nós estaremos enquadrados. 

Aonde quero chegar com coelhos, lebres e tapitis? Se hoje, sob a ganância digna de piratas, miramos um império brasileiro de quadrinhos, pois estes, não tomam para si problemas que não lhes pertencem, são os tijolos que constroem as paredes mais forte. A vida do coelho pardo é curta, e não convêm continuar a insistir no gato por lebre.

O fanzine como instante ou A excelência antiquada

Foto de Ize Louise
Eles são breves como esses bilhetes que servem para nos lembrar o quanto de amor flutuar no ar, de consumo intenso, que podem ser rápido mas muito longe de serem vazios, os fanzines (que é a denominação que remete muito mais aos modos de produção de impressão do que de fato a um gênero dos quadrinhos) se revertem a nós como um instante onde o espaço dos quadros e o tempo da leitura se encontram no simples fluxo do dia-a-dia. Ler um fanzine é percorrer a estranha sensação de assistir um avião cruzar o céu que nossos olhos abarcam.

Hoje podemos acessar quadrinhos na internet, nela são publicados quadrinhos de toda a sorte, e logo vemos que a mídia moldou a linguagem para si, mas acho que pelo descuido do tempo vemos os fanzines permitindo tudo, pois sempre precisaremos de um lugar onde as expectativas não nos prendam.

Penso nisso tendo em vista os fanzines produzidos e vendidos nos eventos que Fortaleza nos proporciona. Artistas de toda forma nos permitem ver, por meio da materialidade do fanzine, quadrinhos que não nos exigem muito porém nos entregam algo que não conseguimos conter; sejam eles os relatos do eu, ou a ficção despreocupada, que sabe que não atinge a excelência antiquada, mas o ser humano não precisa só de olhos para viver, tão pouco para a arte.

Espero que, cá entre nós, todo instante não passe desacreditado; presença e virtualidade constroem os quadrinhos que serão necessários amanhã para combater o que insiste; e que possamos extrair de um bom fanzine seja algo que está entre a glória da publicação independente e a ordinariedade da falta de verdadeiros heróis que nos salvem o dia.